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História Agenor Sarraf Pacheco narra os altos e baixos de Melgaço, na ilha do Marajó Uma visão desde o nascimento até a decadência de uma cidade marajoara. Assim é o livro 'À Margem dos Marajós: Cotidiano, Memórias e Imagens da Cidade-Floresta', do historiador Agenor Sarraf Pacheco, publicado pela editora paraense Paka-Tatu. Depois de quase dez anos de pesquisa, o autor reuniu, a partir de documentos, fotografias e entrevistas, as mais importante histórias que envolvem o município de Melgaço. A obra será lançada hoje, na Livraria Ifá, às 18h. 'O trabalho não é toda a história de Melgaço, mas sim um olhar, uma versão daquilo que diferentes documentos escritos, depoimentos e fotografias me permitiram analisar', explica Agenor. Mesmo que quisesse escrever tudo sobre o município, seria preciso mais algum tempo, pois Melgaço tem mais de 350 anos. Outra dificuldade em condensar os fatos é a pobreza de memória escrita. 'A maior tradição da cidade está na oralidade, em contar histórias. Os municípios paraenses são todos muito pobres em memória escrita', afirma. A obra partiu da dissertação de mestrado do historiador, mas a preocupação em aproximar o livro de qualquer interessado na história de tradições e costumes da região permeou toda a produção. 'Mantive uma linguagem acessível e, ainda assim, são histórias da Amazônia, comuns a todos nós'.
ALDEIA
'Melgaço, no século XVII, era apenas uma aldeia onde habitavam os padres jesuítas e índios', conta Agenor. As construções mais importantes da época eram as residências dos missionários e a igreja de São Miguel Arcanjo, cujo altar no estilo barroco continua conservado. Depois da expulsão dos religiosos, no final do século XVIII, a aldeia transforma-se em vila e começa a prosperar. Melgaço passou a fornecer açúcar e derivados, além de produzir madeira e borracha para exportação. 'O município foi uma importante vila no passado, foi um pólo de borracha, era independente', diz.
MUDANÇA
A decadência começou depois da primeira Guerra Mundial. Com a baixa procura pelo 'ouro negro', os habitantes já não podiam mais viver da borracha. 'Após 1930, quando em Melgaço foi instalada a subprefeitura do município de Breves, em seguida tornando-se Posto Fiscal do município de Portel, os comerciantes do interior continuaram pagando seus impostos àquele município, o que prejudicava o desenvolvimento de Melgaço', diz o livro. 'A cidade foi posta à margem das articulações entre município e estado, expulsando do centro da municipalidade a maioria de seus moradores'. Se era importante no passado, hoje Melgaço é fraca e dependente. Não por culpa dos cerca de 25 mil moradores, mas dos diversos fatores econômicos e políticos. 'Melgaço era para ter sumido do mapa', conta Agenor. 'Atualmente, a cidade é pequena e vive da economia informal de farinha, pesca artesanal, madeira e palmito'. Segundo o historiador, Melgaço é o segundo pior município do Estado em qualidade de vida. 'O que mantém a economia da cidade hoje é o emprego na prefeitura', admite Agenor, ressaltando o esquecimento da cidade. Entre os documentos pesquisados, estão fontes inusitadas de informação: cadernos de memórias de alguns moradores, livros de registro de prostitutas retirados do arquivo da delegacia local e depoimentos de comerciantes, freiras e membros de famílias tradicionais. 'Não é uma história contada de cima. Foi escrita a partir do que ouvi de diferentes grupos sociais', diz Agenor. SERVIÇO Lançamento do livro 'À margem dos ‘Marajós’: cotidiano, memórias e imagens da ‘Cidade-Floresta’', do historiador Agenor Sarraf Pacheco, hoje, às 18h, na Livraria Ifá (Mundurucus, em frente à Pça. Batista Campos). O livro será vendido a R$ 39. O Liberal, 23/3/2007
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