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Entrevistas

Entrevista com a Profa. Maria de Nazaré Sarges, autora do livro "Belém -Riquezas produzindo a Belle-Époque"


O livro  “Belém: Riquezas produzindo a belle époque (1870-1912)”(Paka-Tatu, 2000), chega aos oito anos de existência, junto com a editora Paka-Tatu. A obra tem sido adotada em escolas de nível superior; como a senhora avalia esta trajetória da publicação?

O livro em tela tem sido adotado largamente no ensino médio, acho que este é o principal mérito da obra que apesar de ser o resultado de uma dissertação de mestrado não se restringiu apenas ao nível superior.

A senhora é autora do livro MEMÓRIAS DO VELHO INTENDENTE: ANTÔNIO LEMOS. O intendente é glorificado como o administrador que deu os ares de metrópole à Belém do século XIX, urbanizando-a. Essa urbanização, por outro lado, não teve um efeito devastador sobre as classes menos favorecidas da época?
Neste livro não glorifico Lemos; o que fiz foi recolher as várias memórias que haviam sido construídas acerca do mito, inclusive a memória construída pelo próprio Lemos. Percebe-se que o administrador tomou medidas fundamentais para a urbanização da cidade, contudo esse projeto não incluía os pobres, as camadas populares que viviam em áreas afastadas do centro urbano, como também não permitia que os mesmos fizessem parte deste novo cenário.

Em 2009, Belém estará sediando o Fórum Social Mundial, oportunidade ímpar para se discutir os desígnios da região. Como a senhora vê o processo histórico de ocupação humana e exploração dos recursos naturais da Amazônia?
A falta de projetos e políticas de ocupação do espaço geraram essa desordem espacial e social o que tem agravado muito a qualidade de vida dos habitantes. A Amazôniam apenas algumas vezes foi objeto de preocupação do Estado brasileiro me como nunca foi prioridade o que se vê é a ineficácia na exploração dos recursos naturais. Falar em desenvolvimento sustentável tornou-se apenas um discurso.

Os currículos de ensino de História regional nos cursos fundamental e médio, via de regra, apenas informam muito superficialmente o discente sobre sua história. Um exemplo é a Cabanagem, revolução popular ainda tão pouco conhecida historicamente falando. O que a senhora sugeriria para mudar esta visão deturpada?
Acho que a proposta pedagógica em relação à disciplina História no ensino médio é que deve ser mudada. Não se pode dizer que os historiadores locais não tenham se empenhado para mudar essa situação, visto que nos últimos anos foram
publicados alguns livros como o "Pontos de História do Pará" e outros  de grande importância para o conhecimento da história local.

Em 2008 temos o centenário da chegada do povo nipônico à Amazônia; a senhora, como pesquisadora ligada à área de Cultura & Etnicidade, enumeraria que contribuições dos povos orientais à região nos mais diversos aspectos?
Os imigrantes tem sido importantes na história do desenvolvimento do país e os japoneses aqui no Pará fazem parte dessa história.

Em quais projetos a senhora está trabalhando no momento?
Minha última investigação é acerca da presença dos espanhóis em Belém, sobretudo no que diz respeito às suas práticas culturais como forma de sobrevivência e de manutenção de uma suposta identidade.

 

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