Entrevista com as psicólogas Silvia Cannan-Oliveira, Maria Elizabete Neves e Adriene Robert, três das quatro autoras de “Compreendendo seu filho – Uma análise do comportamento da criança”
“Quando crianças, nossa autoconfiança e nosso auto-respeito podem ser alimentados ou destruídos pelos adultos – conforme tenhamos sido respeitados, amados, valorizados e encorajados a confiar em nós mesmos.” (Nathaniel Branden, 1999, 33 ed.,pag. 12) Epígrafe do Livro
O Livro “Compreendendo seu filho – Uma análise do comportamento da criança”, editado pela Paka-Tatu, nasceu do trabalho terapêutico de quatro psicólogas: Silvia Canaan-Oliveira, Maria Elizabete Coelho das Neves, Francynete Melo e Silva e Adriene Maia Robert. A partir do Projeto Intervenção Comportamental com Crianças, Adolescentes e seus Pais ou Responsáveis, desenvolvido na Universidade Federal do Pará, em 1996, elas trabalharam a análise do comportamento dos atendidos e os reflexos da educação deles.
Daí surgiu a idéia de fazer um livro com os conceitos da Análise Comportamental numa linguagem acessível a qualquer pessoa. O livro é cheio de ilustrações e conta a historinha da família Fragoso através da qual são trabalhados os conceitos da psicologia do comportamento. O livro é para leigos em psicologia comportamental, mas escrito de forma didática para atender pais, professores, pedagogos e ajudá-los a entender o comportamento de crianças e adolescentes.
Curioso é pensar que aprendemos várias coisas de modo sistematizado. Fazemos curso de computação para aprender programas de computador. Fazemos universidade para ter nível superior. Por que não há curso para aprender a educar filhos? Muitos acreditamos que podemos fazer isso de modo empírico e nem sempre o resultado é bom. “Muitas vezes os filhos rompem com os pais e isso é julgado pela sociedade mas nunca se sabe como foi a relação entre eles”, observa Silvia.
O professor Olavo Galvão diz que as inúmeras dificuldades de relacionamento entre pais e filhos podem ser compreendidas e têm mais chances de serem resolvidas quando os processos envolvidos nessas interações são analisados. Olavo Galvão, no prefácio do livro, observa que conhecer os princípios da Análise do Comportamento pode fazer a diferença, na medida em que, com eles, somos capazes de olhar para as interações humanas de maneira esclarecedora e ver a complexidade de nossas ações sem mistério.
A psicóloga Silva Cannan diz que o livro fornece elementos não só aos pais, mas aos pedagogos, professores e orientadores escolares para compreenderem melhor o por que as crianças agem de determinada maneira e ensina-os a usarem algumas ferramentas para administrarem adequadamente esse comportamento em sala de aula e em casa. Ela chama de ferramenta alguns princípios básicos da análise comportamental, que é uma abordagem da psicologia que acredita que as pessoas se comportam de uma determinada forma e que isso é produto de uma série de variáveis e quando se entende quais são essas variáveis você pode intervir com algumas ferramentas para administrar esse comportamento.
Educar com base na psicologia comportamental parece mais fácil de dizer do que fazer. Mas os exemplos no livro são ilustrativos. Aprendizagem por contingência significa passar pela experiência como, por exemplo, a criança que toma choque ao colocar o dedo na tomada e aprende que não deve fazê-lo.
De acordo com o livro, a aprendizagem por regras são ditas ou escritas, explícitas ou implícitas, e orientam a ação dos indivíduos, já que indicam uma condição. Um exemplo é o esforço que a criança faz ao estudar e se dedicar na escola e passa de ano, sendo o tempo todo encorajada e estimulada pelos país ou responsáveis e percebe que ganha por ter ficado logo de férias, entre outros benefícios.
A educação de uma criança começa 20 a 30 anos antes dela nascer, explica a psicóloga Silvia Canaan-Oliveira. Isso deve até assustar algumas pessoas, mas a psicóloga esclarece que é por causa do comportamento dos avós e dos pais que no futuro farão parte da educação da criança. O que precisa estar claro é que o comportamento dos filhos são um produto dos agentes socializadores, ou seja, pais e educadores, afirma Adriene Robert.
Ser modelo para os filhos é a melhor forma de educá-los, pois não adianta dizer para eles não gritarem se você grita, afirma Adriene. O fato dos pais trabalharem muito faz com que ensinamentos básicos de educação sejam repassados à escola o que sobrecarrega os professores e é complicado, pois estes lidam com muitos alunos diferentes ao mesmo tempo. O principal reforço positivo é o amor, diz Silvia. “Amar seus filho no sentido de amá-lo incondicionalmente sem o qual os pais não se tornam educadores”.
Para psicóloga Maria Elizabete Neves, reconhecer que os pais falham é importante. “Reconhecer isso é fazê-lo perceber que você é humano e tem falhas mas que reconhece isso”. Para ela, isso gera respeito. “O perfeccionismo é prejudicial”, ressalta Elizabete.
As psicólogas ressaltam a importância de dizer “não” e explicar por que não pode naquele momento. E ao contrário do que se pensa frustrar faz parte da educação pois ensina crianças e adolescentes a conviverem no social, aceitando que nem todos os seus desejos e anseios serão satisfeitos. Horários e rotinas também são necessários e vão fazê-los funcionar internamente com uma bússola que irá nortear seu dia. Os pais precisam ensinar a criança a se organizar porque ela não sabe isso ainda. Precisam, também pensar sobre as regras e limites que serão colocados, para não serem coisas flutuantes de acordo com o seus altos e baixos. “Elas se sentem amadas. Pois reclamam quando os pais colocam limites mas no fundo se sentem amadas”. Garantir estabilidade e previsibilidade tem haver com equilíbrio. “Lógico com flexibilidade para que não seja regime de quartel”, explicam as terapeutas.
Concluindo, o Livro “Compreendendo seu filho – Uma análise do comportamento da criança” é uma alternativa valiosa no sentido de esclarecer e ensinar pais e professores a trabalharem com crianças e adolescentes.
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